Wednesday, June 14, 2006

Nas nossas mãos....

Se há coisa que no mundo se pode generalizar, sem recorrer a grandes estudos académicos, é a de que qualquer um de nós já se masturbou. Pronto, tá dito, tá dito. Não recorremos a este tema para quebrar os silêncios incómodos, não é coisa que se introduza numa qualquer conversa de café no final de tarde na praia, nem é coisa que partilhe à mesa num domingo de Páscoa. Imagine-se a situação. Casa de uns tios, visita de Domingo, todos olham uns para os outros sem largar um pio e, de repente, saímo-nos com esta – " Ontem, antes de ir tomar café, esgalhei o pêssego com tal arte e engenho que quando atingi o clímax fiquei com os tímpanos obstruídos como se tivesse acabado de descer o Marão." Melhor comentário para quebrar a monotonia não existe. Estranho seria se o tio completasse o momento com um sorridente – " Já me aconteceu o mesmo. Limpei a mão, apertei o nariz, fechei a boca e soprei. Fiquei pronto para outra." Muito provavelmente as futuras visitas aos tios, primas e amigos da família dispensariam a nossa participação.

A verdade é que todos nós já nos explorámos e o difícil é assumir-se que isso é perfeitamente normal. O que talvez não seja normal é o querer entrar no campo da MA – Masturbação Alternativa, ou seja, deixar o mainstream e entrar por áreas mais experimentais e menos conhecidas. Sobre estas práticas, cada vez mais divulgadas, falarei noutro post. Por agora fico-me pela MT – Masturbação Tradicional e com algumas apreciações sobre as suas variantes masculina (por auto-experimentação) e feminina (Gina, 86:4; Tânia, 87:5).

O MT masculina pode ser caracterizada por ser, simultaneamente, uma auto-descoberta e a procura de respostas para questões logísticas inerentes. Passo a explicar. Apesar de se alegar que o verdadeiro amor é o que fazemos com nós próprios e que o resto são apenas momentos de convívio social, a verdade é que são estes ensaios da nossa secção rítmica, em que usamos o corpo como instrumento, que aprendemos a nossa própria cadência. No início podemos comparar-nos a um baterista amador sem ritmo preciso e com um desempenho feito de trechos soltos sem ligação, ou seja, toca toca mas sem nexo e não se sabe quando a música acabará. Com o passar do tempo obtém-se uma mestria tal, que se sabe quando e como acabará a melodia. À medida que se evolui, ao nível da técnica, paralelamente vão-se também melhorando as condições de logística do acto. O local e as condições para "o solo" são as primeiras a precisarem de uma definição detalhada. Inicialmente o amadorismo faz-nos incorrer na constrangedora porta de WC mal fechada, na revista da especialidade deixada aberta em cima da cama, ou na falta de um plano PT (papel e/ou toalha). Com o passar do tempo tudo se altera. O evento ganha a magnitude de um grande evento, com cobertura televisiva em alguns casos (Messenger, 04), onde nada é deixado ao acaso e onde os vestígios são inexistentes.

Como condições a reter destaca-se ainda toda a panóplia de AI – Apoio à Imaginação que no início da actividade se reduzem a 1 ou 2 revistas da especialidade herdadas de um familiar ou roubadas a um vizinho. O tempo e o avanço das tecnologias em AI melhoraram estas condições elevando-as a um nível onde o iPOD (ler com 2 dedos a puxar as extremidade da boca) pode armazenar e apresentar todos os grandes clássicos disponíveis em qualquer quiosque de estação ou debaixo das camas de qualquer um de nós. Não vale a pena negar tal coisa. Aposto que há mais jovens portugueses que já tenham lido uma Gina ou uma Tânia que os Maias de fio a pavio.

Quando se fala da MT feminina a coisa muda um pouco de figura. Dos "dois dedos de conversa"* do seu início de actividade até à exclamação – " Ei!! Onde ficou o meu relógio?!" vai um processo de descoberta com algumas particularidades também interessantes.
*(embora tenha usado esta expressão no meu último post peço-vos que não me classifiquem como auto-plagiador.)

Quanto às questões de logística existem, eventualmente, pontos em comum sendo talvez o mais óbvio o do local. São, no entanto, os AI que levantam as maiores dúvidas. Senão vejamos.
Estudos de mercado demonstram que as mulheres compram menos pornografia que os homens. Logo, ou as mulheres possuem uma rede secreta que partilha as revistas que algumas compraram, ou então têm uma imaginação com um índice de criatividade muito superior aos homens. Julgo, e isto é apenas uma suposição, que a resposta reside na hipótese ligada à criatividade. No nosso caso os sonhos costumam parar sempre ao mesmo: seios enormes, mulheres de uniforme, balcões de cozinha e menages a trois onde somos machos maratonistas e os únicos num raio de 100km. As mulheres não devem ser tão limitadas. Digo eu.

Em resumo, pois já não apetece escrever mais e a isso não sou obrigado, a conclusão que se pode tirar de tudo isto é que nas nossas mãos estão bem mais que as linhas do nosso passado, presente e futuro. Estão também as marcas indeléveis de inúmeros momentos passados a sós, (ou na companhia imaginária da Pamela e da Soraia Chaves vestidas de empregada de cozinha) ao ritmo da vida e experiência de cada um.

Este post teve os patrocínios seguintes:

Guardanapos de Folha Dupla Renova

“Para depois da sova, guardanapos Renova. “


Óleo de amêndoas doces Ançã.

“O melhor amigo do seu pequeno Sandokan.”

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