Tuesday, December 11, 2007

Contra Helgas...

Há dias em que acordamos e começamos a pensar nos prós e nos contras de nos virarmos para o outro lado e continuarmos no quentinho da cama. O estudante universitário pensará, nestes momentos, nas reais vantagens em se levantar. Pensará, caso o álcool que ainda traz no sangue assim o permita, sobre o que realmente aprenderá se se levantar, tomar o banhinho, comer algo e seguir caminho para a aula teórica que, sem se saber bem porquê, foi marcada para as 9 de 6ª e, melhor ainda, é a única aula desse manhã. Para quê estudar tanto pensará ele entre um e outro soluço forçado com travo a um mix de cerveja, sangria e vodka se for o início da mesada, ou bagaço, cerveja e shot de sabe-se lá o quê, se estiver a contar cêntimos no final do mês. A sua reflexão tomará talvez então a seguinte sequência de ideias que vi uma vez num postal. Não direi onde para não me armar, mas , já que insistem, a terra começava em Ox e acabava em ford. O postal rezava o seguinte em versão aqui traduzida: Quanto mais estudo, mais aprendo. Quanto mais aprendo, mais sei. Quanto mais sei, mais poderei esquecer. Quanto mais esquecer, menos saberei. Então para que estudo? O nosso amigo estudante ao chegar ao final de tamanha reflexão, para além de se começar a sentir enjoado, terá motivos para se virar para o outro lado e dormir mais um pouco. É com este espírito que eu, como professor, encaro as faltas que alguns alunos insistem em dar às minhas aulas. Eles não se estão a baldar. A verdade é que, ao acordar naquela manhã, devem ter tido um raciocínio próximo do que referi há pouco. "Quando mais aulas frequento, mais aprendo. Quando mais aprendo, mais sei. Quanto mais sei, mais poderei esquecer. Quanto mais esquecer, menos saberei. Então para quê me levantar do quentinho e da companhia da Helga Andersen para ir à aula? Eu, como professor aqui me calo. Contra Helgas não há argumentos.

Tuesday, November 27, 2007

respira fundo, não chores e mantém...

Estava eu no Jumbo a comprar umas 100g de peito de frango em forno de lenha quando, sem saber bem porquê, fiquei vidrado a olhar para um dos monitores que distribuíram por toda esta superfície comercial. Enquanto esperamos que chegue o nosso número, somos presenteados com meia dúzia de anúncios e uns quantos apontamentos de reportagem que noutro contexto não captariam a nossa atenção e ficamos para ali entretidos. No caso que vos relato fiquei a olhar para uma reportagem sobre uma prova feminina de triatlo. Pensei para os meus botões: "Epá! Se elas aguentam uma prova extensa de natação, ciclismo e atletismo...uma sessão de saricoté e estalada no funáná para estas damas deve ser coisa para durar umas horas sem problemas nenhuns." Pensem comigo. Quem consegue aguentar uma prova tão exigente como a do triatlo não deve ser fácil de cansar com uns 15 minutos de ginástica rítmica localizada a pares. Sou mesmo pessoa para apostar, ainda que apenas num regime de suponhamos, que é algo suicida desafiar uma destas atletas para o bem bom. Não percam o fio à miada e sigam-me mais um pouco. Sem querer deitar por terra a mui digna autonomia sexual destas atletas, não será a mesma um elemento dissuasor de uma hipotética abordagem de um jovem candidato a um tango a dois? Ok, se considerarmos que o look "acho-te linda a milhas em dia de nevoeiro cerrado" da Vanessa Fernandes é a obra prima do poder de dissuasão sexual, o segundo na lista de agentes dissuasores continua a ser o risco de morte no leito durante o deleite. Jovens de todo o mundo eu vos aconselho. Para não correrem estes riscos e para bem da saúde do vosso pequeno Sandokan sigam a sugestão seguinte. Bom. Talvez o melhor conselho seja o de viverem um pouco e colocarem o vosso corpo e a vossa mente perante uma prova de fogo. Se ficarem a arder no final e intocáveis, mas pelos piores motivos e apenas nas zonas particulares, então paciência. Pelo menos ficam a saber como foi e não há nada que um pouco de soro fisiológico fresquinho, umas compressas e o Música no Coração (filme com menor carga sexual dos século XX) não cure.

Thursday, November 15, 2007

Pai....quero ser um socialite

Penso que é inacreditável o fenómeno social, a que temos infelizmente assistido nos últimos anos, que consiste no aparecimento de pessoas que fazem não sabemos bem o quê e que aparecem do nada entrando pelas nossas casas a toda a hora. Pergunto eu, mas quem é que de juízo perfeito, pode pensar que estes parasitas da sociedade trazem algo de proveitoso para a mesma? Não desenvolvem qualquer tipo de actividade que produza efeitos benéficos para o ser humano a não a feliz conclusão, a que chegarão alguns maníaco-depressivos, de que afinal existe quem seja ainda mais inútil e aberrante que eles próprios. Felizmente existem as revistas cor-de-rosa que, desde que não acabem a forrar o fundo de uma gaiola, servirão como documento de registo de que estas personagens viveram entre nós e de que, a determinado momento, a sociedade foi tolerante e inclusiva em relação a estas pessoas com necessidades especiais, ou antes, manias. Estarei a mentir ao dizer que não produzem nada. São capazes de produzir as maiores barbaridades verbais e vidas e opiniões vazias sobre nada. Poderão estas personagens dizer que estas minhas linhas têm exactamente o mesmo valor. Isso poderá até ser assumido como verdade, mas o que aqui escrevo tem o valor que tem e não é bradado aos céus como a verdade suprema. Fico sem saber que o termo correcto a utilizar no caso destes Zés-ninguem não deverá ser berrado, ao invés de bradado, já que estes cromos parecem, em diversas ocasiões, ovelhas em rebanho atrás de quem paga pela sua inútil presença. Desconfio que se somássemos o QI de qualquer painel de inúteis socialites o resultado seria menor que a soma dos dias de um ano. A mim dá-me pena. Tanto neurónio a morrer de solidão...

Wednesday, October 31, 2007

e depois?

"Detectado buraco negro 33 vezes maior que o Sol" in Sol 31/10/07

Sim senhor. Este é o tipo de notícia capaz de mudar, de um momento para o outro,
o curso do meu dia. Não sei bem porquê, mas notícias como estas obrigam-me a dar dois passos atrás e pensar no trabalho que permitiu a alguém afirmar, com todas as letras, que foi detectado um buraco negro 33 vezes maiores que o Sol. Reparem no detalhe do valor. 33 vezes. Nem 34, nem tão pouco 32. Dezenas de anos de estudo e milhões de dólares em equipamento depois somos prendados com esta notícia que não influenciar a vida de nenhum de nós. Sou pessoa para apostar que nem sequer são 33 vezes. Aposto que os astrónomos envolvidos neste estudo devem ter algum fetich secreto que envolve batas, enfermeiras e doutoras e que, ao invés de nos presentear com um valor composto por mais de 100 dígitos, optaram por dar vazão à sua tara através da adopção do número 33. Talvez nem exista este buraco negro. Talvez a equipa de cientistas estivesse próxima do prazo de entrega do relatório final da bolsa de investigação recebida para o projecto e, depois de terem gasto o dinheiro, olharam uns para os outros e tiveram a conversa seguinte:
Cientista 1 - "Epá! Não seria má ideia termos alguns resultados para justificar o dinheiro que gastámos. Alguma ideia?"
Cientista 2 - "E se inventássemos mais um buraco negro? Mais um, menos um... E quanto ao tamanho? Pode ter o dobro do tamanho do Sol?"
Cientista 1 - "Não!!! Isso é p´raí o tamanho o ego do Mourinho. Tem de ser muito maior. No mínimo 33 vezes maior do que o Sol."
Cientista 3 - "Posso dar um nome ao buraco negro?"
Cientista 2 - "Podes. Pareces teres jeito para essas coisas abichanadas."
Cientista 3 - "Não tenho nada!!"
Cientista 2 - "Acho que o facto de seres o único com um telescópio cor de rosinha, ficares doido quando se fala em buracos negros, e dar-lhes nomes como Roberto, Eliseu, e Andrade, quer dizer alguma coisa."
Cientista 3 - "Em primeiro lugar o modelo cor de rosa estava em saldo!Em segundo são nomes dos meus amigos do Hi5"
Cientistas 1 e 2 - "Pois..."

Invenções à parte, e num tom mais sério, fica a ideia que andamos, por vezes, a olhar em demasia para o céu e temos deixado o que se passa na Terra em segundo plano. Se quisermos descobrir buracos negros do tamanho do universo não precisamos de olhar para o céu. Basta olharmos para a defesa do Sporting começando pelo Tiago. Por falar em céu e Sporting... Força Fátima.

Monday, October 29, 2007

Coisas simples que nos parecem naturais

Quando somos jovens solteiros sem compromissos e donos do nosso destino há coisas simples que nos parecem completamente naturais e que nunca questionamos porque nunca se encontrou razão para isso. Deixar o tampo da sanita levantado é exemplo disso mesmo. Chegamos, usamos, puxamos o autoclismo caso a urina esteja a meio caminho de parecer um shot de whisky, caso contrário , ou seja, caso a urinadela pareça um cházito de tília, não desperdiçamos água e deixamos para mais tarde a descarga. Não somos desleixados, temos apenas uma consciência ecológica algo complexa e baseada em níveis de saturação da cor da urina.

Deixar, por vezes, os boxers usados no chão não é um sinal de bandalheira. Deve, ao invés disso, ser entendido como forma de assegurar que não usamos o mesmo par mais do que um dia. Boxers em contacto com o chão podem facilmente entrar em contacto com os novelos de cotão que por vezes ali se acumulam. Este contacto, embora por vezes possa ser algo rápido e limitado à duração duche, pode facilmente resultar à posteriori numa comichão irritante na púbis e, pior ainda, no depósito de bocados de cotão que podem dar a impressão que o pequeno Sandokan não é usado há algum tempo. Quando muito o cotão pode encontrar algum espaço de depósito no nosso umbigo. Na zona genital não me parece boa ideia e por isso nada mais fácil que utilizar esta armadilha como uma estratégia para não usar "sem querer" os mesmos boxers 2 dias seguidos por motivos tão dignos como o facto de não termos uns lavados. É natural vistoriar a roupa interior e separar a mesma em categorias como: aceitáveis, nem por isso, e mais medalhados que a Vanessa Fernandes. Esta última categoria já se encontra no limiar entre a arma química e o defunto hindu pronto a ser queimado.

Puxar as orelhas à cama é outra prática que nos parece natural. Na maioria dos casos a cama terá direito a apenas 1 ocupante e, porque não estamos na tropa nem queremos impressionar alguém, optamos apenas por puxar os lençóis e os cobertores. O lençol de baixo está todo engelhado? E depois? Não dormi assim a noite toda? Se serviu para ontem à noite porque hei-de mudar algo que funciona?

Por agora fico por aqui. Contudo, voltarei a este assunto.

Wednesday, October 24, 2007

Ui ca bom!

"Concurso vai eleger mulher que melhor finge um orgasmo" in Sol online

Agora quando tudo indicava que a estupidez humana tinha chegado ao limite com os resultados das eleições do PSD, eis que nos chega um concurso que vem colocar a cereja no bolo. Um concurso para fingir orgasmos era mesmo aquilo que a humanidade estava a pedir. Será que não havia mais nada para ver, avaliar e premiar? Será que não chega a tormenta de pensar que há mulheres que fazem isso e nós, os homens, todos contentes a pensar que levamos mais pessoas à lua que a NASA. Agora isto de andar a dar prémios às mulheres para melhor banda sonora do "O" não lembra a ninguém. O que lembra a ninguém é aceitar fazer parte de um júri que avalia a prestação das candidatas. Tenha uma certa curiosidade em saber que itens serão considerados na avaliação do orgasmo falseado. Ritmo? Índice de ofegação? Suor produzido na simulação? Olhar lascivo e mordidelas no lábio inferior como quem diz: "Ui ca bom!"?

Esclareçam-me também outra coisa. Se este júri é capaz de avaliar um orgasmo falso, será que os seus elementos são também capazes de identificar um orgasmo falso tido, ou antes fingido, durante um acto sexual em que estão a participar? Se forem capazes desta proeza é porque estão mais preocupados com o destino e não tão preocupados com o caminho. E isso é meio caminho andado para a criação de momentos de treino para as participantes neste tipo de concurso. Confúcio dizia: " Dá um peixe a um homem e ele terá comida para um dia, ensina-o a pescar e terá sempre comida." (A tradução não é bem esta, mas faz de conta que sim. Apenas conheço a versão em inglês que faz parte da letra de uma música dos Arrested Development e traduzindo à letra não soa muito bem.) Traduzido para este contexto, o dos orgasmos fingidos, poderemos entender estas palavras sábias da seguinte forma: "Dá uma vez motivos à tua companheira para ela fingir um orgasmo e ela o fará uma vez, um dia, talvez por volta das 6 na marquise dos teus pais enquanto vocês fingem que estão a pôr uma máquina de roupa a lavar. Fica à coca para ver se ela finge orgasmos e então ela terá mesmo motivos para os fingir e nada, nem cremes nem nada, poderá salvar a vossa vida sexual (nem aqueles aneis penianos com modo vibratório da Durex)."

Talvez Confúcio não quisesse dizer bem isto, mas é possível que ele pensasse desta forma nos dias que correm. Digam não à falsidade. Digam não à teatralização do clímax. Digam sim à sinceridade. Por vezes mais vale um: "Pois. Vou dar-te um 12 pelo empenho, mas um 8 na eficácia." duro, mas sentido, do que um : "Ai não me acredito! Estou a ver estrelas de tão upa la la que isto está ser!" tão falso como as promessas do Sócrates.

Tuesday, October 23, 2007

Vivó teatro

Joaquim Monchique disse hoje na Prova Oral da Antena 3 que o Filipe La Féria transpira teatro.
Não sei se é bem assim. Para se ser a verdadeira encarnação do teatro em pessoa aposto que o candidato a tal honra terá de estar tão possuído pelo espírito do teatro, mas tão possuído, que até os seus traque parecem pancadas de Molière.