Tuesday, June 20, 2006

Nas nossas mãos....Parte II

Como nunca se deve deixar nada a meio, eis que chega a continuação do post "Nas nossas mãos...". Os parágrafos dedicados à auto-exploração deixaram a impressão que muito mais haveria a dizer sobre esta actividade. Como este assunto dificilmente se esgota, ao contrário das munições do pequeno Sandokan, as linhas que se seguem esperam-se elucidativas sobre alguns dos mistérios da Masturbação Alternativa.

A MA, que pode ser considerada por alguns o resultado da evolução natural da tradicional, introduz na equação Sekoviana a variável da criatividade. Impotência crónica aos evolucionistas pensarão alguns. Abram alas à inovação e ao choque tecnológico pensarão outros. A verdade pura e dura resume-se, no entanto, à constatação de que, tal como a mão de cada um ou uma deverá ser livre de escolher o rumo e ritmo que pretende seguir, também a liberdade da opção pela MT ou MA deverá ser colocada nas mãos do povo. A principal preocupação de cada um deverá ser o de estar informado sobre o que envolve cada uma destas correntes.

A MA, a corrente aqui abordada, caracteriza-se por ser um exercício de auto-satisfação sexual que estimula o cérebro. Algo como o Suduku, mas mais ao lado. Se por um lado a MT, tal como a dança, se limite à questão primordial do ritmo e da cadência, por outro a MA lança o desafio de complicar o que pela repetição simplificada se tornou monótona e insatisfatória. É aqui que a criatividade entra em acção. Foi num destes momentos que alguém pensou – " E se eu agora ligasse todos os meus telemóveis antigos, os colocasse em modo vibratório e os prendesse com fita-cola à volta do dito cujo?". Foi num destes momentos de inspiração que alguém olhou para os naperons do aparador da sala e pensou – "O cetim faz ferida?". Foi ainda num destes momentos iluminados que alguma menina ou mulher pensou – "Se eu colocar o meu iPOD com o volume no máximo, exagerar nos baixos na minha colectânea do Barry White e encostar os auscultadores ao meu períneo, será que consigo descobrir o que é o squirting via experimentação?". Se quisesse podia estar aqui até amanhã com ideias e sugestões, mas não é esse o meu objectivo. O que pretendo é reflectir sobre o que leva os adeptos da MA a dar cabo dos biblôs de casa e o que poderá, eventualmente, justificar o amor doentio que algumas das nossas primas têm pelo seu primeiro telemóvel com 300 gramas, 15 cm de comprimento e 4cm de grossura.

Para ser sincero julgo que a razão por detrás da MA deve ser a já referida monotonia e consequente insatisfação. Se o independente já está farto de levar sovas dos 5 deputados da esquerda e dos outros 5 da direita, então não lhe resta outra alternativa que o tentar participar em actividades parlamentares onde, apesar de continuar na presença dos mesmos deputados, tem a possibilidade de interagir com elementos externos. O que mais, senão a monotonia, poderá levar alguém a comprar uma abóbora de 2 em 2 meses sem nunca ter feito uma sopita ou uma filhó? O que me faz alguma espécie é a logística envolvida na aglomeração das condições necessárias para a prática desportiva. Sim, pois tal como o ginásio 3 vezes por semana, a masturbação sem jóia e sem mensalidades exorbitantes, pode ser responsabilizada pelo gasto de umas quantas calorias. Se para a MT se exige um local, confortável de preferência, os AI (q.b.) e um plano PT (papel e /ou toalha), para a MA só Deus e o dedilhador sabem o que precisam e quando. Abre-se aqui um interessante nicho de mercado. Uma empresa de entrega de tudo o que um adepto de MA poderá precisar para satisfazer o seu solo. Se o Belmiro chegar a ler isto é capaz de desistir da OPA e optar por bater umas...notas no desenvolvimento desta ideia. Já vejo o letreiro em néon com um rosa e verde estilo Miami Vice.

CALL-MA – Connosco ficas de certeza de mãos a abanar!

Paralelamente seria possível vender alguns livros do tipo – " MA para Totós", "MA em 10 lições" ou ainda " Uma aventura com os 5 e a MA". O potencial do merchadising decorrente seria enorme sendo o maior sucesso de vendas os naperons com alvos. 5% da venda destes naperons reverteria para a Casa do Artista da MA, às suas actividades de divulgação e workshops, bem como à realização de cursos de iniciação transdisciplinares em parceria com o Chapitô.

Como remate desta temática, que por minha culpa, tão grande culpa, é abordada de forma muito confusa neste post, fica a ideia de que a MA tal como outra opção qualquer a nível sexual (desde que legal) deve ser respeitada. Se os quebra-nozes ou os espremedores de citrinos do Philippe Starck têm uma função alternativa em algumas casas o problema é apenas de quem os usa. Dessas pessoas e do pessoal do SAP, mas não há nada que uma ventosa e umas compressas com betadine não resolvam. O importante é que sejamos felizes e que não se sinta prurido em assumir-se que essa felicidade pode por vezes vir na forma de um simples requeijão desfeito em leite condensado com uma pequena amostra de aroma de morango.

Wednesday, June 14, 2006

Nas nossas mãos....

Se há coisa que no mundo se pode generalizar, sem recorrer a grandes estudos académicos, é a de que qualquer um de nós já se masturbou. Pronto, tá dito, tá dito. Não recorremos a este tema para quebrar os silêncios incómodos, não é coisa que se introduza numa qualquer conversa de café no final de tarde na praia, nem é coisa que partilhe à mesa num domingo de Páscoa. Imagine-se a situação. Casa de uns tios, visita de Domingo, todos olham uns para os outros sem largar um pio e, de repente, saímo-nos com esta – " Ontem, antes de ir tomar café, esgalhei o pêssego com tal arte e engenho que quando atingi o clímax fiquei com os tímpanos obstruídos como se tivesse acabado de descer o Marão." Melhor comentário para quebrar a monotonia não existe. Estranho seria se o tio completasse o momento com um sorridente – " Já me aconteceu o mesmo. Limpei a mão, apertei o nariz, fechei a boca e soprei. Fiquei pronto para outra." Muito provavelmente as futuras visitas aos tios, primas e amigos da família dispensariam a nossa participação.

A verdade é que todos nós já nos explorámos e o difícil é assumir-se que isso é perfeitamente normal. O que talvez não seja normal é o querer entrar no campo da MA – Masturbação Alternativa, ou seja, deixar o mainstream e entrar por áreas mais experimentais e menos conhecidas. Sobre estas práticas, cada vez mais divulgadas, falarei noutro post. Por agora fico-me pela MT – Masturbação Tradicional e com algumas apreciações sobre as suas variantes masculina (por auto-experimentação) e feminina (Gina, 86:4; Tânia, 87:5).

O MT masculina pode ser caracterizada por ser, simultaneamente, uma auto-descoberta e a procura de respostas para questões logísticas inerentes. Passo a explicar. Apesar de se alegar que o verdadeiro amor é o que fazemos com nós próprios e que o resto são apenas momentos de convívio social, a verdade é que são estes ensaios da nossa secção rítmica, em que usamos o corpo como instrumento, que aprendemos a nossa própria cadência. No início podemos comparar-nos a um baterista amador sem ritmo preciso e com um desempenho feito de trechos soltos sem ligação, ou seja, toca toca mas sem nexo e não se sabe quando a música acabará. Com o passar do tempo obtém-se uma mestria tal, que se sabe quando e como acabará a melodia. À medida que se evolui, ao nível da técnica, paralelamente vão-se também melhorando as condições de logística do acto. O local e as condições para "o solo" são as primeiras a precisarem de uma definição detalhada. Inicialmente o amadorismo faz-nos incorrer na constrangedora porta de WC mal fechada, na revista da especialidade deixada aberta em cima da cama, ou na falta de um plano PT (papel e/ou toalha). Com o passar do tempo tudo se altera. O evento ganha a magnitude de um grande evento, com cobertura televisiva em alguns casos (Messenger, 04), onde nada é deixado ao acaso e onde os vestígios são inexistentes.

Como condições a reter destaca-se ainda toda a panóplia de AI – Apoio à Imaginação que no início da actividade se reduzem a 1 ou 2 revistas da especialidade herdadas de um familiar ou roubadas a um vizinho. O tempo e o avanço das tecnologias em AI melhoraram estas condições elevando-as a um nível onde o iPOD (ler com 2 dedos a puxar as extremidade da boca) pode armazenar e apresentar todos os grandes clássicos disponíveis em qualquer quiosque de estação ou debaixo das camas de qualquer um de nós. Não vale a pena negar tal coisa. Aposto que há mais jovens portugueses que já tenham lido uma Gina ou uma Tânia que os Maias de fio a pavio.

Quando se fala da MT feminina a coisa muda um pouco de figura. Dos "dois dedos de conversa"* do seu início de actividade até à exclamação – " Ei!! Onde ficou o meu relógio?!" vai um processo de descoberta com algumas particularidades também interessantes.
*(embora tenha usado esta expressão no meu último post peço-vos que não me classifiquem como auto-plagiador.)

Quanto às questões de logística existem, eventualmente, pontos em comum sendo talvez o mais óbvio o do local. São, no entanto, os AI que levantam as maiores dúvidas. Senão vejamos.
Estudos de mercado demonstram que as mulheres compram menos pornografia que os homens. Logo, ou as mulheres possuem uma rede secreta que partilha as revistas que algumas compraram, ou então têm uma imaginação com um índice de criatividade muito superior aos homens. Julgo, e isto é apenas uma suposição, que a resposta reside na hipótese ligada à criatividade. No nosso caso os sonhos costumam parar sempre ao mesmo: seios enormes, mulheres de uniforme, balcões de cozinha e menages a trois onde somos machos maratonistas e os únicos num raio de 100km. As mulheres não devem ser tão limitadas. Digo eu.

Em resumo, pois já não apetece escrever mais e a isso não sou obrigado, a conclusão que se pode tirar de tudo isto é que nas nossas mãos estão bem mais que as linhas do nosso passado, presente e futuro. Estão também as marcas indeléveis de inúmeros momentos passados a sós, (ou na companhia imaginária da Pamela e da Soraia Chaves vestidas de empregada de cozinha) ao ritmo da vida e experiência de cada um.

Este post teve os patrocínios seguintes:

Guardanapos de Folha Dupla Renova

“Para depois da sova, guardanapos Renova. “


Óleo de amêndoas doces Ançã.

“O melhor amigo do seu pequeno Sandokan.”

Monday, June 12, 2006

Mulheres gordas e/ou feias

Há coisas que não percebo. Por exemplo, nunca percebi a atitude convencida das moças e mulheres gordas e/ou feias que povoaram a minha juventude e a minha vida adulta. Será que não percebiam que sendo gordas e/ou feias as probabilidades de levarem uma rabecada já eram reduzidas e se assumindo uma atitude convencida essa probabilidade aumentava exponencialmente? Achavam talvez que nós moços pensaríamos - "Ummm. Aquela gorda e/ou feia está a fazer-se difícil...Isso excita-me. Quero cortejá-la e fazê-la cair nos meus braços para depois a fazer rosnar como uma leoa em cio." Não me parece. Acabávamos por pensar- "Ummm. Aquela gorda e/ou feia está a fazer-se difícil. Ainda bem pois hoje não me sinto na disposição de acabar a noite a pedir desculpa ao meu pénis." Porque na realidade é isso que fazemos nas manhãs em que acordamos, olhamos para o lado e vemos a razão mais plausível para deixar de beber em quantidades industriais. O engraçado é que depois a desculpa do -"Não me lembro de nada. Tava todo F*****" - é logo usada como se ajudasse a minimizar, perante os amigos, o mal que já estava feito. Podemos até tentar esquecer o sucedido, mas é difícil esquecer uma mulher sobre a qual tivemos de dar 2 voltas para sair de cima. Podemos até mentir aos nossos amigos dizendo que nada se passou, mas é difícil apagar as memórias de uma bunda cujas nalgas eram tão grandes que até têm direito a códigos postais diferentes. Podemos até tentar apagar este evento do nosso passado, mas nada marca mais um jovem que um rosto inesquecível por ser tão feio.

Eu não era esquisito. Agora sou casado o que é mais ou menos a mesma coisa que ser esquisito. Não posso lançar o meu pequeno Sandokan à aventura sempre que o Capitão Testosterona lance a alerta. Contudo, quando eu e o meu parceiro de aventuras tínhamos imunidade diplomática e andávamos por toda a parte, o que nos deixava perplexos era a pose de algumas jovens que, apesar de parecerem o boneco da Michelin e de servirem como exemplos de casos irreparáveis em cursos de cirurgia plástica, se pavoneavam como se o seu corpo fosse um objecto de desejo inatingível. E para quê? Para nada. Para no final ficarem a sós tendo como único regalo os "dois dedos" de conversa que têm consigo próprias.

Um conselho às mulheres gordas e/ou feias. Ou começam a introduzir a simpatia na vossa atitude ou então se quiserem jogar ao prego é melhor começarem a pagar copos ao pessoal. Afinal de contas alguém dizia que não existem mulheres gordas e/ou feias, existe é pouco álcool.